Precisamos ser policiados!
Com o
advento da greve da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), pudemos mais uma
vez confirmar a tese por nós sustentada, qual seja: a de que precisamos ser
policiados! Se nos deixarmos a sós, inevitavelmente infringiremos,
delinquiremos ou praticaremos atos desviantes. Devido ao nosso estágio
evolutivo, a maioria de nós é portadora de inúmeros vícios, os quais
desabrocham no momento oportuno; e a greve da PM, nesse particular,
naturalmente enseja tais condutas. Assim, pessoas que se apresentavam na comunidade
com a sua persona ou máscara - nos valendo de uma linguagem psicológica -, em
tais circunstâncias terminam se desnudando, se mostrando na sua essência, como
verdadeiramente são. Desta forma, ficamos perplexos na medida em que vemos
inúmeras pessoas saqueando e roubando, em razão da ausência daqueles que, por
dever de ofício, deveriam ali estar, ostensivamente, inibindo a ação criminosa:
os Policiais Militares.
O grande
temor de uma greve da PM se dá, dentre outros fatores, em razão da anarquia e
anomia que se instala na sociedade, preocupando a tudo e a todos, ante o caos
que se evidencia. Nesse particular, o Brasil tem assumido vanguarda no cenário
internacional, pois jamais se viu o país em meio a tanta criminalidade como na
atualidade! Diante das condutas desviantes, as quais as pessoas se permitem
nesses momentos de crise, só nos reforça o entendimento de quão estamos
carentes de civilidade; de valores éticos e morais tão necessários à paz e a
harmonia social. E é exatamente em razão disso que as nossas polícias têm tido
imenso trabalho, ocasionando inúmeras intervenções em ocorrências que poderiam
simplesmente ser evitadas.
Basta a
ausência da força policial para que a baderna se instale, cada qual
apresentando condutas que estavam em gérmen, por assim dizer, aguardando a
oportunidade para eclodir. Certamente, em razão desses "desvios de
comportamento", no seio da sociedade, é que o mundo está tal qual um
"big brother", com inúmeras câmeras de videomonitoramento, exatamente
para nos policiar!
E o pior
de tudo isso é que não vislumbramos melhora, já que a cada dia o quadro se nos
apresenta mais aterrador. Acreditamos que a educação, dentre outros fatores obviamente,
assume fator relevante nesse processo, diante de pais inescrupulosos que estão
mais para reprodutores do que pais, na acepção da palavra. Assim, nos
convencemos da necessidade de sermos policiados, de fato, já que ainda não
logramos alcançar o ideário enobrecedor de convivermos em sociedade sem a
necessidade de sermos vigiados!
* Por Irlando Oliveira
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* Irlando
Lino Magalhães Oliveira é Oficial da Polícia Militar da Bahia, no posto de
Major do QOPM, atual Comandante da 46ª CIPM/Livramento de Nossa Senhora, e
Especialista em Gestão da Segurança Pública e Direitos Humanos.




