O bote contra a Operação Lava Jato está armado
Talvez pela proximidade do Carnaval, a piada
recorrente em Brasília é que o governo de Michel Temer (PMDB) rasgou a
fantasia. O chiste decorre da leitura mais óbvia dos últimos acontecimentos:
tudo conspira, dentro e fora do governo, para sabotar ou pelo menos restringir
o alcance da Lava Jato. Com o aval do Planalto, acusados de corrupção ocuparam
postos-chave no Congresso – como Edison Lobão, presidente da Comissão de
Constituição e Justiça do Senado -, assumindo o controle sobre a tramitação de
qualquer projeto. Também uniram forças com o governo para dar apoio à indicação
de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal, vaga na qual terá papel de
protagonista no julgamento da Lava Jato. Os sinais da cruzada pela impunidade
estão no governo, no Congresso e no Supremo e até na Polícia Federal. A
explicação é uma só: o silêncio das ruas, que faz com que movimentos de cerco à
operação sintam-se mais à vontade. Tanto que o novo capítulo do abafa reúne
próceres dos três poderes. O vale-tudo contra a operação, agora à luz do dia,
conta ainda com ações sem estardalhaço, como o desmonte da força-tarefa da PF,
com a remoção de personagens centrais, como o delegado Márcio Anselmo, que
desvendou a relação do doleiro Alberto Youssef com a Petrobras, marco zero da Lava
Jato, e irá para a corregedoria da PF no Espírito Santo.
Fonte: Brumado Notícias





