'Bolsonaro não tem ideia do tamanho do problema que arrumou', diz Haddad
Em ato na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em
Vitória, pela agenda da caravana Lula Livre, em defesa da universidade e contra
os cortes na educação, o ex-prefeito de São Paulo e ex-candidato à presidência
Fernando Haddad exortou os estudantes do país a ocupar as ruas. “O país está precisando de
todo mundo, das universidades, dos Institutos Federais, da energia do campus
universitário. Bolsonaro tem muitos problemas. Tem problemas psicológicos,
sociológicos, filosóficos, psiquiátricos, mas não tem ideia do tamanho do
problema que arrumou nas universidades e Institutos Federais. Não tem ideia da
encrenca que vai arrumar nas ruas se mexer com a educação.”
Segundo ele, o presidente da República está “fustigando quem quer
construir uma nação, um Brasil sem racismo, sem miséria, sem misoginia. Um país
que não quer se armar, quer ler, quer se instruir, quer trabalhar”.
No discurso em frente à universidade, afirmou que ainda não viu
Bolsonaro falar de emprego, de curar o doente ou fazer o remédio chegar às
pessoas. “Tudo é futrica. Um presidente que passa a maior parte do dia no
Twitter em vez de governar. Ele já foi mal recebido em três países, e não teve
cara de ir ao Nordeste até agora.”
Haddad mencionou um comentário irônico do escritor Luis Fernando Verissimo,
segundo o qual é “um exagero” a frase de Lula dizendo que o Brasil é governado
por um "bando de malucos". “É um exagero porque mesmo um bando tem
alguma racionalidade.”
O país está sendo desmontado, afirmou Haddad, começando pela
economia, que não dá sinais de recuperação ou de
que possa haver crescimento econômico. Segundo Haddad, a mobilização estudantil
vai provocar a primeira derrota de Bolsonaro. “Para ele ver com que país ele
está lidando. Enquanto ele não devolver o que tirou das universidades, não
vamos sair da rua”, prometeu.
Mais cedo, em conversa com jornalistas na Ufes, Haddad falou sobre
o julgamento de Lula pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ),
de educação e economia.
Sobre o caso de Lula, afirmou que não há nenhum precedente de
alguém ter sido condenado por corrupção por um “ato indeterminado”, como o
ex-presidente, e que a condenação de alguém por corrupção exige que se diga do
que a pessoa é acusada concretamente.
“O STJ decidiu não discutir as provas. Ele não fez um julgamento
do caso propriamente, se absteve de discutir as provas, que era um pedido da
defesa, da qual eu faço parte.”
O ex-prefeito destacou que centenas de juristas, inclusive estrangeiros, se
debruçaram sobre o processo contra Lula. “Gente que está expondo sua reputação
sem ganho nenhum.” Ele citou o jurista italiano Luigi Ferrajoli, “um dos
maiores juristas vivos, que disse que o processo não tem substância”.
Sobre a perseguição do governo às universidades, afirmou que “a
extrema-direita tem alergia à educação, sobretudo superior, porque ali a pessoa
desenvolve senso crítico e ganha autonomia sobre as coisas, e autonomia não
combina com a extrema-direita”.
O ex-prefeito mencionou a PEC 95 (a emenda do teto de gastos) e
disse que pouco se fala da medida, introduzida pelo governo de Michel Temer,
que congela gastos em educação, saúde e outras áreas por 20 anos.
Lembrou ainda que o Brasil saiu do ranking de destinos seguros
para o investimento estrangeiro, no qual o país sempre figurou entre os 25
países mais seguros. “E o governo prometeu retomar as obras. Mas não tem obra
sendo retomada em parte nenhuma do país.”
“De onde vai vir o crescimento?”, questionou. “Não vai vir da
reforma da Previdência, que inclusive é contracionista, no curto prazo.”
Segundo ele, o modelo de capitalização proposto pela
reforma e por Paulo Guedes, o ministro da Economia, é diminuir o poder de
compra das famílias, na medida em que as pessoas terão de poupar mais para
participar do regime.
Para Haddad, a reforma mais importante a ser feita é a do sistema
bancário do país. “Se a população paga menos juros sobra mais dinheiro no
bolso. Em vez de ficar com o banqueiro, vai para o industrial, que vai
contratar.”
Fonte: Rede Brasil Atual
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